Planos de saúde têm prejuízos operacionais de R$ 11,5 bilhões, diz ANS
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DIÁRIO DE PETRÓPOLES
Empresas não fecharam no vermelho por causa de rendimento de aplicações financeiras, mas cenário preocupa o setor
Rômulo Barroso – especial para o Diário
O resultado operacional das operadoras de planos de saúde acumularam um prejuízo recorde em 2022, segundo a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). De acordo com dados divulgados nessa segunda-feira (24/04), o déficit registrados no passado foi de R$ 11,5 bilhões, o maior da série histórica desde 2001. No entanto, as contas das empresas não fecharam no vermelho – isso porque elas lucraram R$ 9,4 bilhões com outras aplicações financeiras, que tiveram ganhos a partir do aumento das taxas de juros que remuneram essas aplicações.
Para a ANS, o ano terminou no “zero a zero” para as operadoras, com um lucro de R$ 2,5 milhões, um resultado muito pequeno frente ao tamanho do setor. Para se ter uma ideia, o lucro foi de 0,001%, ou um centavo a R$ 1 mil de receita obtida.
A Agência Nacional de Saúde Suplementar analisa que, embora as despesas do setor não tenham crescido, as receitas estagnaram.
“No caso concreto do mercado de saúde suplementar, em uma avaliação preliminar, as despesas assistenciais não apresentaram crescimento que possa justificar o aumento da sinistralidade. No entanto, as receitas advindas das mensalidades parecem estar estagnadas, especialmente nas grandes operadoras. Essa análise é compatível com o recente histórico do mercado de saúde suplementar: apesar do expressivo aumento de beneficiários desde o início da pandemia, a sinistralidade não foi tão bem controlada”, afirma a ANS.
Vera Valente, diretora-executiva da Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde), mostra preocupação com o setor. Segundo ela, o país tem mais 260 empresas que, atualmente, não conseguem cobrir os custos operacionais apenas com os valores das mensalidades. Elas atendem mais de 20 milhões de pessoas, ou seja, praticamente 40% da saúde suplementar. Antes da pandemia, eram 160 empresas nessas condições – e ela atendiam cinco milhões de pessoas.
“As operadoras também se têm visto pressionadas pelo aumento da demanda por assistência, com a retomada de procedimentos eletivos que ficaram represados durante longo tempo na pandemia. Não raro, muitos destes casos chegam a clínicas e hospitais já agravados e demandam tratamentos mais caros. A frequência de uso da rede assistencial também tem exibido movimento de alta. A tendência de encarecimento dos custos completa-se com o envelhecimento populacional, fenômeno que desafia sistemas de saúde do mundo todo”, afirma.
Petrópolis tem leve redução no total de planos de saúde contratados
Esse aumento de beneficiários de planos de saúde no país vem sendo observado desde o início da pandemia. Em dezembro de 2019 (antes do surgimento da covid-19), eram 47 milhões de pessoas que mantinham contrato com alguma operadora no Brasil todo. No fim do ano passado, eram 50,4 milhões de clientes com planos de assistência médica. O mesmo aconteceu com os planos exclusivamente odontológicos, que passaram de 25,4 milhões para 30,5 milhões no mesmo período.
Por outro lado, Petrópolis vê os números manterem uma certa estabilidade ao longo desses anos, com uma redução pequena de 2019 para 2022.
No caso dos planos de assistência médica, antes da pandemia eram 85.367 clientes, e no ano passado, 85.165. Já os exclusivamente odontológicos caíram de 53.424 para 53.294 (queda de 0,2% em ambos).

